2 A Construção da Cultura Digital: Estética de uma nova sociedade

Pierre Lévy, Françoise Trapenard e Gilberto Dimenstein

 

Painel 1

Tema: A Construção da Cultura Digital – Estética de uma nova sociedade

Centro da discussão deste painel: A transição da sociedade industrial para a sociedade em rede. Que modelo de sociedade é este que está emergindo? Somos mais colaborativos?

Palestrantes: Pierre Levy e Gilberto Dimenstein
Mediação: Françoise Trapenard

 

O centro da discussão deste painel foi a transição da sociedade industrial para a sociedade em rede. As palestras questionaram que modelo de sociedade é este que está emergindo? Se somos mais colaborativos? Se compartilhamos mais? Quais os pilares da sociedade (Política, Urbanismo, Tecnologia etc) estão sofrendo alterações com este novo modelo?

O painel inicial coube a Pierre Lévy e Gilberto Dimenstein, que trouxeram suas reflexões iniciais sobre o modelo de sociedade que está emergindo a partir das conexões em rede, dos usos da tecnologia. Na sequência, “insiders” que acompanharão o fluxo de interações na internet trouxeram algumas inquietações dos internautas e logo após o “Aquário” aberto recebeu pessoas da plateia quepuderam ocupar uma das cadeiras e interagir com os palestrantes.

Algumas das ideias apresentadas por Pierre Levy durante sua palestra:

  • Inteligência coletiva
  • Pensar em hipertexto, em rede
  • Rede de pessoas: sociedade
  • Conhecimento é organizado como rede
  • Quanto mais interdependência positiva, mais inteligência coletiva
  • O mais importante é aprender, e aprender colaborativamente
  • A inteligência coletiva emerge do aprendizado dos indivíduos
  • Capital: acumulo de conhecimento, e que possa ser utilizado por qualquer um (“wikipedia”)
  • Você compreende o que lê? Ler e compreender a mensagem que circula em sua rede é um desafio
  • Você seleciona suas fontes? Atualmente todo mundo gera conteúdo e é “curador”. É cada vez mais importante verificar a fonte da informação.
  • Você classifica as suas informações, seus documentos, para que estejam disponíveis a todos?
  • Importante: o que vamos aprender, e como vamos contribuir com este conhecimento
  • Redes sociais: categorizamos as informações para os outros.
  • Facebook, internet, etc… não são fontes de informação, e sim meios de comunicação. As fontes são as pessoas (capital coletivo explícito).
  • O conhecimento nunca é absoluto (humildade)
  • Atualmente (ao contrario de séculos passados), temos consciência do limite do nosso conhecimento
  • Temos liberdade para compartilhar conhecimento
  • Não há receita pronta para criação de conhecimento
  • Conceito de solicitude (de quem produz o conhecimento), humildade (não sabemos tudo) e transparência (dados públicos)
  • Inteligência coletiva pode ajudar a solucionar problemas
  • Ainda neste século teremos uma grande revolução científica
  • Revolução das ciências naturais, formas de cultura e inteligência diferentes
  • Precisamos ensinar novas formas de usar as redes sociais, que não somente para postar fotos
  • Qualquer um de nós pode usar as fontes de conhecimento para gerar mudanças na sociedade
  • Bons alunos são aqueles que gostam de aprender.
  • Precisamos de um “carnaval do conhecimento”

Algumas das ideias apresentadas por Gilberto Dimenstein durante sua palestra:

  • As cidades são redes sociais
  • As cidades existem porque as pessoas precisam compartilhar conhecimento
  • As cidades mais interessantes são aquelas que tem maior diversidade
  • O problema do Brasil é o grau de compreensão das pessoas (o alto índice de analfabetismo funcional) e não a velocidade da conexão
  • Educação ainda é o grande desafio em nosso país
  • Capital social: riqueza das relações (São Paulo é pobre em capital social)
  • Não nos sentimos parte de uma rede chamada cidade. Não cobramos melhorias na atuação de nossos governantes.
  • Educação e colaboração são grandes desafios de nosso país.
  • São Paulo virou um lugar de guetos, tamanha a dificuldade de locomoção pela cidade
  • Para aprender, você não precisa estar entretido, e sim interessado (tocar violão é divertido, porém um musico que treina 8 horas por dia, não está se divertindo, ele está interessado em aprender)
  • O papel do educador não é fazer com que a pessoa aprenda o passado, e sim fazer com que este conhecimento sirva de subsídio para resolver questões atuais.
  • Educação precisa ser medida pela capacidade de fazer gestão do conhecimento

Algumas reflexões de Françoise:

  • Tornar tangível os intangíveis que esta sociedade gera.
  • Fonte dos dados: muito relevante atualmente.
  • No iluminismo o ser humano se achava capaz de possuir todo o conhecimento (conhecimento absoluto). Hoje sabemos que isto não é possível.
  • Narcisismo e humildade em cheque.

Após o painel, 2 atividades começaram em dois ambientes. No foyer do Auditório, a dinâmica do Festival de Ideias, quem quisesse agir, bastava procurar a equipe do Centro Ruth Cardoso. Na sala próxima ao foyer, atrás da bilheteria, aconteceram os Open Spaces, para quem queria continuar a refletir, discutir sobre os temas deste primeiro painel, bastava procurar a equipe da Co-Criar. E as 14h30, em uma hora, quem desejava participar dos Diálogos Criativos voltou para o Auditório. E às 16h, todos retornaram para o Auditório, com o painel Economia Criativa – Quebra de paradigmas em uma nova era com Lala Deheinzelin e Eduardo Giannetti da Fonseca.

 

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Algumas perguntas norteadoras proposta para serem feitas durante o painel:

  • A experiência digital deste mundo contemporâneo está alterando o modelo de sociedade? Temos um novo modelo de sociedade, o “open society”?
  • Democracia e comunicação no ciberspace: estamos construindo novas estruturas de poder e participação cidadã? Como elas irão evoluir?
  • A humanidade tenderá a se organizar cada vez menos em padrões formais e hierárquicos e a valorizar mais o aprendizado cooperativo e a inteligência coletiva como nova forma de organização. Como vocês veem o futuro dos 3 setores (governo, empresas, ONGs) em sua maneira de organização?
  • Júlio Verne em 1863 escreveu seu maravilhoso livro chamado Paris do Século XX, que fazia uma previsão de 100 anos para o mundo. Com a intensidade da mudança que estamos vivendo, isso parece bem difícil hoje. Pierre, você consegue fazer algum exercício como este para nós?
  • Gilberto, certa vez você ouviu de um urbanista, e esta é uma tese defendida por Jane Jacobs, em seu livro Morte e Vida das Grandes Cidades, que a qualidade de uma cidade se mede pelo tamanho de suas calçadas. Fale um pouco para nós o que você pensa sobre os desafios para melhorar a qualidade das nossas cidades. Estamos deixando passar estas oportunidades com o boom dos grandes eventos que o país receberá?
  • Pierre, Einstein disse uma frase que sempre me faz pensar: “um problema só pode ser resolvido em um nível de consciência superior ao que ele foi criado”. Você vê a inteligência coletiva como um nível de consciência superior capaz de resolver qualquer problema que se apresente?
  • Gilberto, grandes cidades são aquelas que se transformam em comunidades de aprendizagem, onde aprendemos em todos os lugares. Em geral, quando vamos para as áreas mais remotas, rurais queremos levar o progresso e o desenvolvimento. Você não acha que é hora do urbano aprender mais com o rural?

 

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  • Assista ao bate-papo na integra no canal da Fundação Telefônica | Vivo no Youtube.
  • Leia  aqui, na íntegra, os tweets postados durante o RIA Festival.

 

Galeria de Fotos:

 

 

 

 

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