4 A Economia Criativa: Quebra de paradigmas em uma nova era

Lala Deheinzelin, Luis Fernando Guggenberger e Eduardo Giannetti da Fonseca

Painel 2

Tema: Economia Criativa – Quebra de paradigmas em uma nova era
Centro da discussão deste painel: A crise dos modelos econômicos vividos nesta nova era.
Devemos repensar sobre os modelos econômicos atuais? Como criar novos modelos econômicos?

Palestrantes: Eduardo Giannetti da Fonseca e Lala Deheinzelin
Mediação: Luis Fernando Guggenberger

O segundo painel do dia. Algumas provocações foram feitas para a plateia: Como poderíamos obter resultados diferentes sem mudar nada? Se pudesse envolver outras pessoas para tratar essas mudanças, quem você convidaria? Que situação-problema, comum ou extraordinária, levaria as pessoas a interagirem entre si, de modo criativo, para a construção de uma mudança? Quem são os responsáveis pelas decisões que poderão mudar os procedimentos e avaliações para esta mudança? Quais são os recursos e restrições que são realmente controladas por estes responsáveis pelas decisões?

O palco do painel Economia Criativa: Quebra de paradigmas em uma nova era, foi ocupado pelo mediador Luis Fernando Guggenberger, gerente da área Debate & Conhecimento da Fundação Telefônica, Lala Deheinzelin , especialista em Economia Criativa e Sustentabilidade e Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, filósofo e cientista social.

Discutiu-se um tema polêmico mas que tem trazido profunda agonia para muitos: a economia. Qual é o centro desta crise econômica? Estaria no modelo ou na escassez de novos modelos econômicos? Como criar novos modelos?

Eduardo Giannetti e Lala Deheinzelin trouxeram suas reflexões iniciais sobre o modelo de economia que está emergindo ou precisa ser criado a partir das conexões em rede, dos usos da tecnologia. Na sequência, insiders que acompanharam o fluxo de interações nas mídias sociais trouxeram inquietações dos internautas.

Logo após o “Aquário” foi aberto. Pessoas da plateia subiram e ocuparam uma das cadeiras para interagir com os convidados. Pelo Twitter, com a hashtag #riafestival, várias pessoas puderam enviar suas perguntas para serem respondidas, ao vivo, pelos palestrantes.

Algumas das ideias apresentadas por Eduardo Gianetti durante sua palestra:

  • Final do século XVIII – matriz industrial
  • Final do século XIX – 2ª revolução industrial – novas fontes de energia, meios de transporte
  • Revolução Tecnológica
  • Agora: tecnologia da informação (informação digitalizada)
  • Muda a forma como interagimos
  • 3ª revolução tecnológica – o produto é uma informação que entra no sistema e gera outras transformações
  • Podemos estar em um momento de mudança permanente (revolução permanente da tecnologia), não sendo possível saber exatamente quando terminam e começam estas revoluções…
  • Obesidade informacional acompanhado de fome de sentido
  • Hoje 30% do orçamento é gasto com alimentação, moradia, vestuário, no passado eram 80%! Os outros 70% são gastos em educação, saúde e entretenimento (mudança de comportamento importante!) – Pesquisa da Universidade de Chicago
  • A medida que o dinheiro aumenta, aumentam os gastos com serviços que geram qualidade de vida
  • Serviços educacionais devem receber cada vez mais dinheiro (as pessoas devem investir cada vez mais nisso)
  • A partir de determinado nível de renda média de uma localidade, não há aumento proporcional de felicidade (boa notícia, principalmente para o meio ambiente)
  • As pessoas acompanham os resultados das bolsas de valores de 4 países, mas não sabem quem são seus vizinhos
  • A humanidade avança em algumas dimensões, mas estaciona e até regride em outras
  • O segredo é não se entregar a ansiedade do conhecimento. É preciso de um mergulho concentrado. Controlar a ansiedade e identificar coisas que você realmente goste. A vontade de aprender deve vir de dentro pra fora
  • Anotar, reescrevendo com as suas próprias palavras trechos de livros e artigos, pode ser o segredo para reter e assimilar o conhecimento (o investimento de tempo vale a pena). Giannetti contou que faz isso desde adolescente, e foi assim que passou a gravar o que lia.
  • Três horas lendo 20 páginas deve ser entendido como investimento e não perda de tempo (leia devagar, releia, escreva trechos….)
  • “o prazer aperfeiçoa a atividade” Aristóteles
  • O valor do conhecimento não é sabido até que você o obtenha (o valor emerge após o consumo)
  • Disposição reflexiva: importante para o amadurecimento da pessoa
  • Não adianta estar com 3000 pessoas conectadas na rede e não ter amigos
  • O consumidor precisa valorizar a sustentabilidade
  • Comportamento do consumidor muda por causa do conhecimento: 38% dos estudantes que completam o ensino superior são analfabetos funcionais ! temos que vencer este grande desafio para termos consumidores (e cidadãos) mais conscientes
  • Estão todos preocupados mas na hora de mudar ninguém quer: é preciso colocar $ nisto: cobrar pela emissão de CO2…

Algumas das ideias apresentadas por Lala Deheinzelin durante sua palestra:

  • Como se muda tudo, sem mudar nada? Mudando o jeito de olhar. (“mudar os óculos”)
  • Autora do livro “desejável mundo novo”
  • Vivemos ocupados em fazer o que os outros mandam, e esquecemos de olhar ao redor
  • Temos tecnologia para o tangível (hardware) e para o intangível (processos, conhecimento)
  • Tecnologias: “Petrobras” do conhecimento
  • Economia criativa: a partir de intangíveis
  • Excedente cognitivo (Clay Shirky)
  • Devemos ver recursos e resultados como uma árvore: raízes são os recursos e os galhos são os resultados
  • Informação é meio e não fim. O fim é a sensação.
  • Economia da abundancia: economia dos intangíveis (o conhecimento, a criatividade…)
  • “Ah, vou lá trabalhar, depois eu vivo”: não há mais espaço pra isso na sociedade atual. Deve-se fazer o que gosta
  • “Banco de Telefonemas”: quantas pessoas podem fazer coisas incríveis com apenas 1 ligação
  • Você só começa algo quando faz sentido para você
  • Buscar propósito
  • Mudar o binóculo da carência pelo da potencia
  • Não importa o que nos falta, e sim o que temos
  • As pessoas podem atribuir valor (intangível) aos produtos: valorizar os produtos sustentáveis por exemplo…

 

Algumas das reflexões de Luis Guggenberger:

  • Economia da informação: como remunerar quem gera o conhecimento?
  • Joga, experimenta, testa: mais coragem para testar (a vida em beta)

 

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Algumas perguntas norteadoras proposta para serem feitas durante o painel:

  • Eduardo, o que você está vendo no modelo clássico econômico? Que sinais de mudança existem? O que está emergindo?
  • Eduardo, que aprendizados, reformulações estão surgindo? Que brechas existem neste sistema?
  • Eduardo, que exigências do modelo econômico atual precisam cair?
  • Economia Criativa pode ser vista como um desdobramento da economia do conhecimento? Como vocês veem o Brasil neste contexto?
  • Lala, quais as matérias primas desta Economia Criativa?
  • Lala, gosto muito de uma provocação que você sempre nos traz que é a da régua. Que tipo de régua precisamos criar para medir o intangível que a Economia Criativa nos oferece?
  • Que oportunidades estamos deixando passar com este momento do país com o advento dos grandes eventos?
  • Eduardo, você é um apaixonado por educação. Fale um pouco sobre os nossos desafios educacionais para sermos uma nação mais próspera economicamente.
  • Eduardo, como pensador da condição humana, que possibilidades você aponta para um mundo mais fraterno onde o individualismo esteja menos presente?
  • Não é hora dos economistas resgatarem o princípio desta atividade, onde antes eles eram filósofos e pensavam primeiro sobre os seres humanos?
  • Lester Thurow afirma que tecnologia e ideologia estão abalando os alicerces do capitalismo do século XX. A tecnologia está tornando as habilidades e o conhecimento as únicas fontes de vantagem estratégica sustentável. Vocês concordam?
  • Estaríamos vivendo a transição do capitalismo de commodities para o capitalismo intelectual?

 

***

Ao final do painel, Luiz Algarra subiu ao palco para direcionar o público para as atividades paralelas. Três atividades em três ambientes. No foyer do Auditório, a dinâmica do Festival de Ideias. Quem quisesse agir, bastava procurar a equipe do Centro Ruth Cardoso. Na sala próxima ao foyer, atrás da bilheteria, aconteciam os Open Spaces, ótima escolha para aqueles que desejavam continuar a refletir, discutir sobre os temas do segundo painel. Bastava procurar a equipe da Co-Criar. No Auditório, aconteceu o Diálogo Criativo sobre o Som com Benjamin Taubkin.

 

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  • Assista ao bate-papo na integra no canal da Fundação Telefônica | Vivo no Youtube.
  • Leia  aqui, na íntegra, os tweets postados durante o RIA Festival.

 

Galeria de Fotos:

 

 

 

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