9 Somos Seres Digitais?

Viviane Mosé, Françoise Trapenard e Miguel Nicolelis

Painel 3

Tema: Somos Seres Digitais?
Centro da discussão deste painel: A transição do modelo de homem, que novo ser humano está emergindo a partir das nossas experiências com o mundo digital

Palestrantes: Viviane Mosé e Miguel Nicolelis
Mediação: Françoise Trapenard

O painel centrou a discussão no Ser Humano. Todos os dias somos impactados pelas experiências com o mundo digital. Cada dia surge um novo device, uma nova plataforma, e com isso o comportamento das pessoas se altera ou se expande. Cada vez mais a ciência avança ao descobrir os mistérios do cérebro humano. Hoje, vivemos uma crise similar àquela que a sociedade da idade média viveu na transição para o iluminismo. Um modelo de homem surgiu a serviço desta nova era. E agora, que modelo de homem é este que está emergindo?

Viviane Mosé e Miguel Nicolelis trouxeram suas reflexões sobre o modelo de sociedade que está emergindo a partir das conexões em rede, dos usos da tecnologia. Na sequência, “insiders” que acompanharam o fluxo de interações na internet, trouxeram algumas inquietações do internautas e logo após o “Aquário” foi aberto. Pessoas da plateia subiram e ocuparam as cadeiras para interagir com os convidados.

 

Algumas das ideias apresentadas por Viviane Mosé durante sua palestra:

  • Somos mais potência do que identidade
  • Somos apenas perspectivas de nós mesmos. Somos pura transformação
  • A vida é um processo de libertação
  • Homo sapiens sapiens: se desdobra de si, somos fato e desdobramento dos fatos
  • O homem pensa de fato, quando não sabe que pensa
  • O homem só é homem quando diz não a si mesmo.
  • O problema está na transformação, ou em nosso medo e vontade do retrocesso?
  • Qualquer mundo que se estrutura em pirâmide está se degradando. Está em ruína
  • Hoje você não identifica quem manda e quem obedece (quem manda não é mais somente o que está no topo)
  • Para você saber onde está a estrutura de poder, você tem que pensar
  • É o poético que nos categoriza
  • Antes vivíamos em um mundo onde você tinha que viajar para conhecer, hoje não é preciso sair do lugar
  • Ser só é a dignidade humana. É assim que não nos submetemos ao outro.
  • Felicidade é estabilidade? Nunca vi alguém estável feliz
  • Não interessa onde você estudou, nem quantos livros você leu. O que importa é o que você faz com o que aprendeu
  • Antes importava ter, agora importa dar (devolver pra sociedade aquilo que aprendeu – o que você fez com o conhecimento que adquiriu)
  • Somos a sociedade do conhecimento e não da informação
  • As redes sociais permitem a produção de conhecimento “sociedade da colaboração”
  • Quem de fato importa é quem acumula coisas em torno de si “sociedade da concentração”
  • Concentrar-se é para fora, e não para dentro “abrir-se para fora”
  • Como trabalhar o 6º sentido: com criatividade e ousadia
  • A diferença pode te dar inovação
  • A nossa impotência caracteriza diferença como doença
  • Interação e encontro caracterizam a nossa sociedade

 

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Algumas das ideias apresentadas por Miguel Nicolelis durante sua palestra:

  • O cérebro era considerado impenetrável, e nos últimos 100 anos começamos a estudá-lo.
  • Medir sinais digitais: interface cérebro-máquina
  • O cérebro pode se libertar dos limites do corpo
  • Experimento: primata controla um braço robótico para jogar games, ao mesmo tempo que controla seus braços reais (e a recompensa era suco de laranja)
  • Fim do culto ao corpo – neurociência estuda o cérebro e sua capacidade de se adaptar
  • Todos os nossos acessórios são entendidos por nosso cérebro como extensão de nosso corpo (óculos, anéis, bolsas, bola para um jogador de futebol, raquete para um tenista…)
  • Revista Scientific American elegeu as 10 ideias que transcendem a ciência, e uma delas é a de Nicolelis: o projeto do “exoesqueleto” que fará o paraplégico chutar a bola na abertura da copa do mundo de futebol.
  • A exploração do desconhecido não pode ser assumida como algo apavorante
  • Até uma simples tampa de uma caneta pode matar, mas também pode salvar alguém (traqueostomia)
  • Estudos já dizem que podemos morrer e manter os pensamentos armazenados
  • Quando fazemos várias tarefas ao mesmo tempo, diminuímos a capacidade de perfeição
  • O cérebro é um “crowdsourcing” de grande dimensão
  • A maneira de interagir nas redes sociais é uma projeção das funções fisiológicas do cérebro
  • Como trabalhar o 6º sentido: Continuamente o cérebro está medindo o valor de cada ação (a longo prazo), o que já é uma forma de prever o futuro. A intuição faz parte dos atributos da mente humana
  • Há animais que “sentem” a luz, apesar de não enxergar
  • Multidisciplinaridade você aprende nas ruas (não aprendi multidisciplinaridade na USP, aprendi nas ruas, jogando bola)! Tá cheio de cientistas no Brasil. Faltam aeroportos para eles decolarem. Criatividade está em nosso DNA.
  • Continuamos em evolução “não é porque chegamos, somos os reis da cocada preta e fim”: homo sapiens sapiens digitales

 

Algumas das ideias apresentadas por Françoise Trapenard durante sua palestra:

  • Viemos falar sobre tecnologia, sobre o ser digital, o ser humano e o que vivemos foi emoção!

 

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Algumas perguntas norteadoras proposta para serem feitas durante o painel:

  • Que valores humanos vocês destacam para o “homus conectus”? Que projeto de homem é esse para o século XXI?
  • O que a interação e a conexão trazem de oportunidades e desafios para a convivência humana? Somos mesmo mais colaborativos?
  • A conectividade nos faz viver numa grande aldeia global. Como ficam as culturais locais?
  • O “homus conectus” é mais feliz? Como anda a felicidade humana na vida contemporânea?
  • Nossa evolução recente aumentou o individualismo e o hedonismo: existe espaço para a ressignificação da lógica do dever?
  • Viviane, como você vê a dissonância entre discurso e prática? Somos conscientes de tanta coisa e fazemos tão pouco com isso. Estaríamos vivendo uma era onde o que mais se valoriza é o belo e não o mérito?
  • Nicolelis, a mesma pergunta para você tem outra formulação. Você fala do cérebro como modelador de realidade, algo que os orientais também falam. Qual é o caminho individual de ampliação da percepção desta realidade moldada pelo cérebro? O ser humano do século XXI pode ser mais consciente de si?
  • Viviane, você acredita que viveremos a mistura entre a realidade real e virtual? Seremos capazes de controlar máquinas através da mente humana? E o que acontecerá se pudermos ler sempre os pensamentos de uma pessoa? (questão da ética de leitura dos pensamentos);
  • Nicolelis, fale-nos um pouco do teu projeto social no Rio Grande do Norte. Que valores humanos você está desenvolvendo naquelas crianças e jovens? Como este modelo de educação os ajudará a serem seres humanos mais plenos?
  • Viviane, Isaac Asimov, escritor americano do século XX, disse que “o aspecto mais triste da sociedade neste momento é que a ciência acumula conhecimento mais rápido do que a sociedade acumula sabedoria”. Como estamos nos afogando num oceano de informações, o artigo mais precioso na sociedade moderna é a sabedoria. Você não acha que vivemos uma era em que sem sabedoria e perspicácia, vagamos em um vazio depois que acaba a novidade das ilimitadas informações?
  • Nicolelis, por quanto tempo esta revolução dos computadores poderá durar? Se a lei de Moore for válida por mais 50 anos, é concebível que os computadores excederão rapidamente o poder computacional do cérebro humano?

 

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Ao final do painel, 2 atividades que começaram em dois ambientes. No foyer do Auditório, aconteceu a dinâmica do Festival de Ideias. Quem quisesse agir, bastava procurar a equipe do Centro Ruth Cardoso. Na sala próxima ao foyer, atrás da bilheteria, aconteceram os Open Spaces, para quem queria continuar a refletir, discutir sobre os temas do primeiro painel do dia, bastava procurar a equipe da Co-Criar.

 

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  • Assista ao bate-papo na integra no canal da Fundação Telefônica | Vivo no Youtube.
  • Leia  aqui, na íntegra, os tweets postados durante o RIA Festival.

 

Galeria de Fotos:

 

 

 

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